O MISTÉRIO DA FAZENDA SANTO ESTICA

          − Então, tia, não se sabe se é lenda ou mistério.
− O que não se sabe se é lenda ou mistério, Milena?          − A história, tia, é do ano de 1959. Porém, só foi divulgada dez anos depois. Como se não bastasse, com nomes próprios fictícios. No município de Timbrado, trabalhadores, ao realizarem levantamento dos bens da fazenda Santo Estica, que seria desapropriada, se deparam-se com uma monstruosa construção de cimento. Não havia nenhum tipo de acesso. O trambolho, media dois metros de altura, seis de largura e quinze de comprimento. Uma escada foi providenciada e subiram. Ao longo da laje, havia visores de vidro. Limparam os visores e, ao espiarem através dos transparentes, observaram corpos intactos.          − Corpos intactos?          −O prefeito de Timbrado foi convocado. Vistoriou e achou por bem comunicar o fato ao governador do estado. Autoridades, ao visitaram o local, decidiram interditar a área para que estudos fossem realizados… Antigos relatos de desaparecimentos em Timbrado foram coletados: os desaparecidos trabalharam na construção da câmara, seguiram para o trambolho acompanhados da esposa e dos filhos… Falava-se da existência de um homem de cerca de 40 anos de idade que teria ocupado uma pequena casa localizada dentro dos limites da fazenda e que havia morrido subitamente no Mercado Municipal. Procuraram por essa casa, mas em vão. Seguindo a informação, visitaram o Mercado Municipal. Ali tinha acontecido uma morte súbita. Quem havia trocado sopapos com esse infeliz podia prestar mais informações. Fora o dono de um box; contou que o sujeito estava demasiadamente embriagado; falava um monte de asneiras entre elas que todos os habitantes da terra seriam mortos asfixiados: o oxigênio seria neutralizado.          − … Meus Deus…          − Ao sair do Mercado, caiu. Não era do município de Timbrado. O corpo ali permanecera por muitas horas e foi recolhido pelos ocupantes de um automóvel que se identificaram verbalmente como familiares. Então, tia, quando os investigadores levaram essa informação para os coordenadores do acampamento, vibraram. Por que vibraram? Porque as expressões dos aprisionados na câmara revelavam que haviam morrido por asfixia. Com a informação da existência de uma casa, concluiriam que ela deveria ter ligação com a câmara. Cavariam em torno da câmara e, fatalmente, encontrariam o elo de ligação. Mas ficaram receosos assim optaram por consultar especialistas de certo país. Numa preguiçosa tarde de domingo, com reduzido número de pessoas no acampamento. Os coordenadores de plantão, aguardando pronunciamento do país requisitado, Rosa Fontes, bióloga catedrática, desejou comer jabuticaba. A cem metros de onde estavam, havia pés do mencionado fruto. Dirigiram-se para as árvores. Movimentando−se em torno delas, um dos componentes do grupo topou com uma tampa de concreto. Imaginaram que se tratava de uma fossa. Mesmo assim a ergueram e entenderam que estavam enganados. Iriam descer, mas, antes do ato, um deles teve de retornar ao acampamento para providenciar uma lanterna. Uma vez providenciada, desceram. No quadro−negro, que devido às dimensões deveria ter sido montado ali dentro, havia uma longa equação que misturava biologia, química e física. Rosa Fontes, ao interpretá−la, empalideceu e disse que seria possível neutralizar o oxigênio. Ou melhor, o desconhecido, que certamente seria cientista, havia conseguido neutralizá−lo. Reviraram o local e encontraram cadernos com anotações. O louco explicava como a vida havia sido dizimada há milhões de anos: aqueles elementos químicos circulavam livremente. Agregando−se num fenômeno histórico. A neutralização do oxigênio se expandiu na velocidade da luz. Severo vácuo global se formou atraindo milhares de meteoritos e gigantescos asteroides. Dizimou a vida, inclusos os dinossauros... Meditaram por longos minutos… Havia um túnel. Um deles, de quatro, porque só assim seria possível, ali se enfiou. Ao retornar, afirmou que finalizava com o acesso para a câmara que estava rigorosamente vedada. O túnel seria preenchido com cimento. O quadro−negro e os cadernos seriam queimados.          − A extravagância da mente humana, Milena, às vezes, me assusta.          − A mim também, tia.

ILUSÃO OU FATO?